"TUDO O QUE CONHECES E DESEJAS CONHECER JÁ ERA CONHECIDO PELOS MORTOS
- OU É CONHECIDO POR ELES. SOMOS ENFRAQUECIDOS POR ISTO?" H. Barker

16 outubro 2012

GASPAR
de Peter Handke

(Estreia a 30 de Novembro no CAAA - Guimarães)




“Uma obra política através de linguagem”
"Gaspar" começa por ser a história de alguém que foi abandonado e cresceu no mundo natural. Entre feras e floresta esse alguém, sem nome e de identidade dividida, luta pela sobrevivência, grunhe, caminha a quatro patas, imita o que o rodeia. Os seus gestos e comportamento dão-no como integrado no espaço onde se move. "Gaspar" é aos olhos da civilização um selvagem a quem se oferece a oportunidade de poder ser normalizado. O que significará para o protagonista ser alvo de uma aprendizagem que está sempre a colidir com aquilo que ele é? 
Em que medida o ato de amestração pelo discurso, que fragmenta e ofende, poderá iludir a  relação entre mestre e ignorante? (Rancière) Como distinguir entre uma inteligência que sabe em que consiste a ignorância e que pretende violentá-la como exercício de poder e a ignorância de quem desconhece o que significa ser inteligente ou ignorante? "Gaspar" é obra política através de linguagem. O protagonista desta peça é convidado a  embrutecer, a esquecer aquilo que foi a sua aprendizagem natural, para em vez disso se tornar  capaz de soletrar signos, pôr à prova as palavras que diz, deixando que captemos que dizer, ver e fazer estruturam a relação entre quem domina e quem se sujeita. Alcançará Gaspar a capacidade de nos mostrar que observar, escutar, falar e agir integram um mesmo processo? 
Anabela Mendes

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